segunda-feira, 6 de julho de 2009

Objetiva de marca ou "Genérica"?

Esse artigo é destinado aos usuários (ou candidados a usuários) de DSLRs, então, se você não é um desses, cuidado ao ler; os efeitos colaterais podem incluir gastar muito mais dinheiro em fotografia, rsrs.

Muitos já sabem que comprar uma câmera DSLR de uma marca (ex: Canon) implica que você não poderá usar lentes de outras marcas (ex: Nikon), pois os encaixes das câmeras e lentes não são compatíveis. Há exceções, como as máquinas no formato 4/3rds (Olympus, Leica, Panasonic), que são compatíveis entre si, e câmeras da Fujifilm que podem usar lentes da Nikon, mas a regra geral é essa mesmo. Mas você não está 100% amarrado ao fabricante da sua câmera, afinal existem os fabricantes independentes, que fazem lentes compatíveis com os formatos das grandes marcas, e podem servir como ótimas opções, especialmente no quesito preço.

Na verdade, nem só de preço vivem os fabricantes independentes (os mais importantes são a Sigma, a Tamron e a Tokina). Algumas das lentes desses fabricantes são superiores às opções oferecidas pelos fabricantes originais nas suas respectivas categorias. A Tokina, por exemplo, é uma empresa com ótima reputação tanto no quesito qualidade ótica como durabilidade e qualidade no acabamento.

Se o preço é mais baixo e as características óticas são por vezes iguais ou melhores, posso comprar sem medo?
Infelizmente, há sempre algum porém. Os principais são, ou podem ser:
  • Compatibilidade Futura: As lentes da atualidade são eletrônicas, ou seja, tem chips internamente e trocam informações com a câmera sobre distância focal, posição do foco, abertura, etc. Algumas marcas não tem acesso aos códigos digitais usados pelos fabricantes originais, então usam de engenharia reversa para fazer um produto compatível. Esse trabalho de engenharia reversa pode ser excelente, ou não, então podem haver incompatibilidades, especialmente com modelos de câmeras ainda por ser lançados. A Sigma, por exemplo, usa engenharia reversa, enquanto que a Tamron (pelo menos no caso da Canon) paga à Canon para ter acesso aos códigos originais, o que garante uma compatibilidade 100% segura.
  • Durabilidade: Algumas lentes são fabricadas com projetos de menor durabilidade que os originais.
  • Controle de Qualidade: Quando você compra por exemplo uma lente da Nikon, não está comprando apenas um projeto e um produto, está comprando o controle de qualidade típico da Nikon (que tem muito boa fama nesse sentido). A Sigma, por exemplo, tem uma reputação muito inferior, com várias lentes atingindo o mercado com grande variação de qualidade entre as diferentes cópias. O que não quer dizer que seja uma má idéia comprar uma lente da Sigma, várias são ótimas compras; mas há que se verificar a qualidade da cópia antes de retirá-la da loja se possível, ou ver se há uma uma boa política de troca antes de comprar.
  • Velocidade e/ou precisão de foco: Algumas lentes "genéricas" apresentam qualidade ótica excelente, mas apresentam um foco menos preciso ou então mais lento, inferior ao apresentado pela versão "de marca". Um exemplo é a Tamron SP AF 70-200mm F2.8 Di LD, segundo o teste realizado pelo DpReview.
  • Preço de revenda: Ah, o preço de revenda costuma ser menor do que as originais, também; isso não será um problema se você não pensa em revender uma lente, certo?

Alguns exemplos de lentes "genéricas" que são sucesso de vendas, dando "trabalho" para as fabricantes de marca (usei nos links apenas os exemplos compatíveis com Canon, mas você pode ver no Photozone testes das mesmas lentes para outras plataformas, como Pentax, Nikon e Sony):

Algumas dessas lentes se destacam por terem melhor relação custo/benefício que as originais de marca. Outras, por atingirem um nicho em que não há nenhuma opção original equivalente. Mas logicamente a opção de comprar unicamente da marca original, considerando acima de tudo confiabilidade, maior rede de assistência técnica e bom preço de revenda é igualmente válida.

Obs1: A lente da foto, a Sigma AF 50mm f/1.4 EX DG HSM, foi, nos testes do DpReview, considerada superior à maioria das concorrentes de marca, especialmente em formato full-frame (DX); prova que há boas opções em termos de qualidade, e não só preço, no reino das "genéricas".

Obs2: Até pouco tempo atrás, só as lentes de marca eram dotadas de estabilizador ótico de imagem. Sigma e Tamron correram atrás e agora várias lentes de suas linhas já tem esse recurso, além de motor de foco ultrassônico (o mesmo que USM, HSM ou SW).

Obs3: Uma das opções apontadas, a Sigma AF 30mm f/1.4 EX HSM DC, vai perder muita popularidade agora, pelo menos nos meios "Nikonzeiros": A Nikon lançou a ótima (e relativamente barata), alem de pequena e leve, Nikon AF-S Nikkor 35mm 1:1.8G DX, que, além disso tudo, faz foco automático nas Nikon D40, D40x e D60, o que não acontece com essa Sigma.


E isso aí. Ate o próximo post!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Fotografando direto pro PC

Fotografar e ver o resultado diretamente na tela do seu PC ou notebook, trocando aquelas míseras 3 polegadas (ou menos) de tela da câmera por uma de 15 (ou quem sabe uma TV de 34" ligada ao notebook), podendo ver os detalhes, o foco, o equilíbrio das luzes, tudo de uma vez só... parece complicado? Com o equipamento certo é bastante simples, aliás, sendo especialmente útil para os profissionais, onde tempo é realmente dinheiro. Ver imediatamente uma foto ampliada, verificando se essa tem que ser repetida ou não, isso não tem preço.

Algumas câmeras possuem esse recurso de fábrica: chama-se tethered shooting, e normalmente exige um cabo ligando a máquina ao PC, o que pode ser bem incômodo exceto no ambiente controlado de um estúdio; mas... sabia que dá pra fazê-lo sem fio, também? Usando (quase) qualquer câmera*?

Uma solução interessantíssima são os cartões de memória SD (Secure Digital) da Eye-Fi, que já vem com uma placa de rede Wi-Fi integrada. Basta clicar e as fotos são transferidas para o seu PC, assumindo que ele também tenha uma placa Wi-Fi e o software da Eye-Fi já configurado. O software é tão esperto que pode ser configurado para enviar as fotos automaticamente, através do seu Pc, para vários sites de álbuns de fotos. Ou seja, dá para enviar fotos quase que em tempo real para os seus amigos ou clientes, automaticamente. Instantâneo não é a palavra precisa, pois o cartão pode levar alguns segundos para enviar as fotos para o Pc, dependendo da resolução, e o pc, mais alguns momentos enviando via internet. Mas a comodidade de fazê-lo simultaneamente ao armazenamento da foto é algo incomparável.

Então se o seu barato é fotografar e ver em uma tela grande, grande mesmo, na mesma hora... os cartões da Eye-Fi são a solução. E não são tão caros assim. No momento em que escrevo, um dos modelos de 4Gb custa U$ 79,95, lá nos EUA...

Obs1 (*): A Eye-Fi só fabrica cartões no formato SD (Secure Digital), deixando de fora as câmeras da Sony (que usam Memory Stick), muitas da Olympus (que usam o formato Xd) e muitas câmeras high-end, que usam cartão Compact Flash. Muitas câmeras high-end possuem suas próprias soluções para tethered shooting, porém.

Obs2: Se você tem uma câmera da Canon, você provavelmente já pode utilizar tethered shooting sem ter que comprar nenhum acessório, basta o cabo que você usa para baixar as fotos e o software que já acompanha a câmera. Você pode aprender como se faz o truque nesse link (em inglês)

Obs3: Há softwares de terceiros específicos para
tethered shooting. Não os experimentei, mas você pode ver um deles aqui.

Obs4: Há modelos da Eye-Fi que transmitem apenas imagens JPG, outros transmitem JPG e RAW, outros também transmitem vídeo. Se você se interessar em comprar um, certifique-se de comparar bem os modelos antes de adquirir.


Obs5: O modelo da foto é o meu lindo sobrinho, Bernardo. Morram de inveja!

Abs!

sábado, 27 de junho de 2009

Comprando uma câmera aqui e "lá fora"

Se você estivesse nos EUA e quisesse uma nova câmera, provavelmente pegaria o seu carro* e iria a uma loja da cadeia Tiger Direct ou outra similar, e lá encontraria quase qualquer coisa. E se lá ainda não encontrasse, iria para uma das lojas especializadas em fotografia (Adorama, Beach Camera, B&H Photo) e nessas encontraria realmente qualquer coisa em termos de fotografia. Ou compraria via eBay mesmo (versão norte-americana do MercadoLivre), que vende desde alfinete a urânio enriquecido... aham, nem tanto. Mas vende quase tudo que existe, de qualquer parte do mundo. Mas isso é "LÁ FORA".

No Brasil é um pouco diferente... você vai ao Ponto Frio ou às Lojas Americanas, e encontra coisa de uma dúzia de modelos, a maioria deles da Sony ou de marcas de pouca expressão, como Mitsuca. Nada contra a Sony, em absoluto. Mas você talvez já tenha entendido a questão... a questão é *opção*. E se alguma te agradou, você paga um preço consideravelmente maior do que pagaria no estrangeiro, isso por causa de nossos indigestos impostos. Parte desses (impostos de importação) são para proteger a indústria nacional, então vá lá. Mas e quanto ao produto nacional, qual a justificativa dos maiores impostos do mundo...? Alguém responde?

Isso cria uma situação ímpar no Brasil, pois as barreiras alfandegárias acabam estimulando o contrabando, que se torna um negócio interessantíssimo (leia-se lucrativo). A Sony, que citamos, concorre com a própria Sony, pois fabrica efetivamente câmeras na Zona Franca de Manaus, mas também é fortemente contrabandeada, e encontramos ambas as versões nas lojas, com nota e tudo. Logicamente a versão "criativamente importada" é vendida bem mais barato, mas você perde a garantia. E vale à pena pagar a mais pela versão nacional? Bem, se a máquina der defeito durante o período de garantia, valeu com certeza; senão, não. Há outras variáveis envolvidas, como o fato que a versão nacional gera empregos em Manaus e não no Vietnã, mas é difícil discutir com um desconto de 30% ou mais.

Mas e se o leitor ou leitora não quiser um dos modelos da Sony na loja, e preferir, por exemplo, um modelo da FujiFilm? Ou uma bateria *original* para sua câmera da Canon, ou pilhas recarregáveis híbridas de primeira linha? Ou encontrará apenas em lojas especializadas, como a Consigo e a Angel Foto em São Paulo (pagando aquele salgado preço Brasil por conta dos impostos escorchantes) ou não encontrará mesmo, exceto, talvez, no Mercado Livre. E neste último caso a procedência será, quase sempre, a "importação criativa", ou seja, contrabando.

Mas há opções, que você ainda não deve ter considerado. Não estou recomendando nenhuma, apenas reportando o que efetivamente existe por aqui:

  • Ir pessoalmente ao estrangeiro buscar o equipamento
Não vale à pena exceto se você fosse fazer a viagem de qualquer forma. É perfeitamente legal, desde que você declare ao voltar ao Brasil a câmera ou equipamento, e recolha os impostos que incidem *apenas* no que exceder U$ 500. Lógico que você pode optar por não declarar o equipamento e não recolher impostos, e no máximo pagará uma multa se for pego, além dos impostos. Ninguém vai preso.
  • Pedir pra um amigo trazer uma câmera para você em uma viagem ao estrangeiro
Idêntica à anterior, exceto que você está usando a cota de U$ 500 do seu amigo, né? Se ele puder fazê-lo, eu recomendo. Me traga um flash também que eu te pago depois. ;-)
  • Comprar *legalmente* de empresas estrangeiras que entregam no Brasil
O imposto é de 60%, incidindo sobre o valor do produto e do frete. Uma fortuna.
  • Usar empresas que fazem importação direta de empresas que não entregam no Brasil
Há muitas empresas estrangeiras que sequer entregam eletrônicos no Brasil (a Amazon.com é uma delas). Há empresas que compram destas lojas, como a Amazon, e lhe remetem então os produtos. Esse é um meio do caminho entre a legalidade e a ilegalidade. Essas empresas podem prometer que o produto chega sem impostos (pois eles às vezes não declaram o valor do produto de boa-fé), mas no final quem vai dizer se você vai pagar ou não será o humor do fiscal que inspecionar o seu pacote. Eu, pessoalmente acho arriscado, mas já li relatos de transações tanto bem quanto mal sucedidas deste tipo (faça sua própria pesquisa na Internet se ficar interessado); de um modo ou de outro você paga adiantado os valores relativos ao produto, frete e comissão no ato da compra, e se for o caso, paga os impostos aqui, quando o produto chegar.
  • Comprar de empresas estrangeiras que entregam no Brasil e recolhem impostos de forma "alternativa"
Não estou fazendo apologia a essa atividade, apenas relatando uma situação que realmente existe. Nesse caso, não se trata de um particular que contrabandeia um equipamento ou mais e revende aqui: há empresas que enviam qualquer eletrônico não muito grande para cá, e você recebe em casa, com segurança, a um preço inferior ao preço do produto mais os 60% de impostos previstos por lei. Portanto, mais caro de que lá fora, porém mais barato do que aqui. Tem que ter uma jogada, certo? Certo.
E que empresas são essas? Procure nos fóruns por aí e você encontrará. A coisa funciona mesmo.
  • Comprar um produto usado
Como o produto legalizado, especialmente se tratando de equipamento profissional (DSLRs, lentes, tripés, etc) chega a um preço impraticável aqui, vender o que não se quer mais no mercado de segunda mão torna-se um excelente negócio, pois a oferta é rarefeita, graças novamente aos impostos. Então você pode revender um equipamento usado aqui no Brasil por mais do que o preço que pagou por ele novo no exterior, com certeza. Há, além do onipresente MercadoLivre, ótimos fóruns de fotografia que tem seções de classificados, onde se consegue quase sempre preços muito bons. Eu participo do BrFoto, que tem uma ótima sessão de usados, onde já fiz bons negócios.
Foto: B&H Photo (leia-se a Meca dos fotógrafos), em Nova York / EUA. Foto por Scott Beale / Laughing Squid (foto sob a licença Creative Commons).

* Carro: Dispositivo sem o qual os norte-americanos adultos não se deslocam, responsável em grande parte pela degradação do meio-ambiente e pelo aquecimento global.


Observação: Esse post pode parecer um desabafo, e acho que é mesmo. Seria tão bom se pudéssemos comprar legalmente o equipamento que quiséssemos a um preço justo, sem sentir-nos compelidos a recorrer a contrabandistas, e simplesmente praticar essa maravilhosa arte que é a fotografia. Mas isso é só um sonho por hora, sem sinais de que vá mudar.


Bom, é isso aí. Até o próximo post!