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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Objetiva de marca ou "Genérica"?

Esse artigo é destinado aos usuários (ou candidados a usuários) de DSLRs, então, se você não é um desses, cuidado ao ler; os efeitos colaterais podem incluir gastar muito mais dinheiro em fotografia, rsrs.

Muitos já sabem que comprar uma câmera DSLR de uma marca (ex: Canon) implica que você não poderá usar lentes de outras marcas (ex: Nikon), pois os encaixes das câmeras e lentes não são compatíveis. Há exceções, como as máquinas no formato 4/3rds (Olympus, Leica, Panasonic), que são compatíveis entre si, e câmeras da Fujifilm que podem usar lentes da Nikon, mas a regra geral é essa mesmo. Mas você não está 100% amarrado ao fabricante da sua câmera, afinal existem os fabricantes independentes, que fazem lentes compatíveis com os formatos das grandes marcas, e podem servir como ótimas opções, especialmente no quesito preço.

Na verdade, nem só de preço vivem os fabricantes independentes (os mais importantes são a Sigma, a Tamron e a Tokina). Algumas das lentes desses fabricantes são superiores às opções oferecidas pelos fabricantes originais nas suas respectivas categorias. A Tokina, por exemplo, é uma empresa com ótima reputação tanto no quesito qualidade ótica como durabilidade e qualidade no acabamento.

Se o preço é mais baixo e as características óticas são por vezes iguais ou melhores, posso comprar sem medo?
Infelizmente, há sempre algum porém. Os principais são, ou podem ser:
  • Compatibilidade Futura: As lentes da atualidade são eletrônicas, ou seja, tem chips internamente e trocam informações com a câmera sobre distância focal, posição do foco, abertura, etc. Algumas marcas não tem acesso aos códigos digitais usados pelos fabricantes originais, então usam de engenharia reversa para fazer um produto compatível. Esse trabalho de engenharia reversa pode ser excelente, ou não, então podem haver incompatibilidades, especialmente com modelos de câmeras ainda por ser lançados. A Sigma, por exemplo, usa engenharia reversa, enquanto que a Tamron (pelo menos no caso da Canon) paga à Canon para ter acesso aos códigos originais, o que garante uma compatibilidade 100% segura.
  • Durabilidade: Algumas lentes são fabricadas com projetos de menor durabilidade que os originais.
  • Controle de Qualidade: Quando você compra por exemplo uma lente da Nikon, não está comprando apenas um projeto e um produto, está comprando o controle de qualidade típico da Nikon (que tem muito boa fama nesse sentido). A Sigma, por exemplo, tem uma reputação muito inferior, com várias lentes atingindo o mercado com grande variação de qualidade entre as diferentes cópias. O que não quer dizer que seja uma má idéia comprar uma lente da Sigma, várias são ótimas compras; mas há que se verificar a qualidade da cópia antes de retirá-la da loja se possível, ou ver se há uma uma boa política de troca antes de comprar.
  • Velocidade e/ou precisão de foco: Algumas lentes "genéricas" apresentam qualidade ótica excelente, mas apresentam um foco menos preciso ou então mais lento, inferior ao apresentado pela versão "de marca". Um exemplo é a Tamron SP AF 70-200mm F2.8 Di LD, segundo o teste realizado pelo DpReview.
  • Preço de revenda: Ah, o preço de revenda costuma ser menor do que as originais, também; isso não será um problema se você não pensa em revender uma lente, certo?

Alguns exemplos de lentes "genéricas" que são sucesso de vendas, dando "trabalho" para as fabricantes de marca (usei nos links apenas os exemplos compatíveis com Canon, mas você pode ver no Photozone testes das mesmas lentes para outras plataformas, como Pentax, Nikon e Sony):

Algumas dessas lentes se destacam por terem melhor relação custo/benefício que as originais de marca. Outras, por atingirem um nicho em que não há nenhuma opção original equivalente. Mas logicamente a opção de comprar unicamente da marca original, considerando acima de tudo confiabilidade, maior rede de assistência técnica e bom preço de revenda é igualmente válida.

Obs1: A lente da foto, a Sigma AF 50mm f/1.4 EX DG HSM, foi, nos testes do DpReview, considerada superior à maioria das concorrentes de marca, especialmente em formato full-frame (DX); prova que há boas opções em termos de qualidade, e não só preço, no reino das "genéricas".

Obs2: Até pouco tempo atrás, só as lentes de marca eram dotadas de estabilizador ótico de imagem. Sigma e Tamron correram atrás e agora várias lentes de suas linhas já tem esse recurso, além de motor de foco ultrassônico (o mesmo que USM, HSM ou SW).

Obs3: Uma das opções apontadas, a Sigma AF 30mm f/1.4 EX HSM DC, vai perder muita popularidade agora, pelo menos nos meios "Nikonzeiros": A Nikon lançou a ótima (e relativamente barata), alem de pequena e leve, Nikon AF-S Nikkor 35mm 1:1.8G DX, que, além disso tudo, faz foco automático nas Nikon D40, D40x e D60, o que não acontece com essa Sigma.


E isso aí. Ate o próximo post!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Fotografando direto pro PC

Fotografar e ver o resultado diretamente na tela do seu PC ou notebook, trocando aquelas míseras 3 polegadas (ou menos) de tela da câmera por uma de 15 (ou quem sabe uma TV de 34" ligada ao notebook), podendo ver os detalhes, o foco, o equilíbrio das luzes, tudo de uma vez só... parece complicado? Com o equipamento certo é bastante simples, aliás, sendo especialmente útil para os profissionais, onde tempo é realmente dinheiro. Ver imediatamente uma foto ampliada, verificando se essa tem que ser repetida ou não, isso não tem preço.

Algumas câmeras possuem esse recurso de fábrica: chama-se tethered shooting, e normalmente exige um cabo ligando a máquina ao PC, o que pode ser bem incômodo exceto no ambiente controlado de um estúdio; mas... sabia que dá pra fazê-lo sem fio, também? Usando (quase) qualquer câmera*?

Uma solução interessantíssima são os cartões de memória SD (Secure Digital) da Eye-Fi, que já vem com uma placa de rede Wi-Fi integrada. Basta clicar e as fotos são transferidas para o seu PC, assumindo que ele também tenha uma placa Wi-Fi e o software da Eye-Fi já configurado. O software é tão esperto que pode ser configurado para enviar as fotos automaticamente, através do seu Pc, para vários sites de álbuns de fotos. Ou seja, dá para enviar fotos quase que em tempo real para os seus amigos ou clientes, automaticamente. Instantâneo não é a palavra precisa, pois o cartão pode levar alguns segundos para enviar as fotos para o Pc, dependendo da resolução, e o pc, mais alguns momentos enviando via internet. Mas a comodidade de fazê-lo simultaneamente ao armazenamento da foto é algo incomparável.

Então se o seu barato é fotografar e ver em uma tela grande, grande mesmo, na mesma hora... os cartões da Eye-Fi são a solução. E não são tão caros assim. No momento em que escrevo, um dos modelos de 4Gb custa U$ 79,95, lá nos EUA...

Obs1 (*): A Eye-Fi só fabrica cartões no formato SD (Secure Digital), deixando de fora as câmeras da Sony (que usam Memory Stick), muitas da Olympus (que usam o formato Xd) e muitas câmeras high-end, que usam cartão Compact Flash. Muitas câmeras high-end possuem suas próprias soluções para tethered shooting, porém.

Obs2: Se você tem uma câmera da Canon, você provavelmente já pode utilizar tethered shooting sem ter que comprar nenhum acessório, basta o cabo que você usa para baixar as fotos e o software que já acompanha a câmera. Você pode aprender como se faz o truque nesse link (em inglês)

Obs3: Há softwares de terceiros específicos para
tethered shooting. Não os experimentei, mas você pode ver um deles aqui.

Obs4: Há modelos da Eye-Fi que transmitem apenas imagens JPG, outros transmitem JPG e RAW, outros também transmitem vídeo. Se você se interessar em comprar um, certifique-se de comparar bem os modelos antes de adquirir.


Obs5: O modelo da foto é o meu lindo sobrinho, Bernardo. Morram de inveja!

Abs!

sábado, 27 de junho de 2009

Comprando uma câmera aqui e "lá fora"

Se você estivesse nos EUA e quisesse uma nova câmera, provavelmente pegaria o seu carro* e iria a uma loja da cadeia Tiger Direct ou outra similar, e lá encontraria quase qualquer coisa. E se lá ainda não encontrasse, iria para uma das lojas especializadas em fotografia (Adorama, Beach Camera, B&H Photo) e nessas encontraria realmente qualquer coisa em termos de fotografia. Ou compraria via eBay mesmo (versão norte-americana do MercadoLivre), que vende desde alfinete a urânio enriquecido... aham, nem tanto. Mas vende quase tudo que existe, de qualquer parte do mundo. Mas isso é "LÁ FORA".

No Brasil é um pouco diferente... você vai ao Ponto Frio ou às Lojas Americanas, e encontra coisa de uma dúzia de modelos, a maioria deles da Sony ou de marcas de pouca expressão, como Mitsuca. Nada contra a Sony, em absoluto. Mas você talvez já tenha entendido a questão... a questão é *opção*. E se alguma te agradou, você paga um preço consideravelmente maior do que pagaria no estrangeiro, isso por causa de nossos indigestos impostos. Parte desses (impostos de importação) são para proteger a indústria nacional, então vá lá. Mas e quanto ao produto nacional, qual a justificativa dos maiores impostos do mundo...? Alguém responde?

Isso cria uma situação ímpar no Brasil, pois as barreiras alfandegárias acabam estimulando o contrabando, que se torna um negócio interessantíssimo (leia-se lucrativo). A Sony, que citamos, concorre com a própria Sony, pois fabrica efetivamente câmeras na Zona Franca de Manaus, mas também é fortemente contrabandeada, e encontramos ambas as versões nas lojas, com nota e tudo. Logicamente a versão "criativamente importada" é vendida bem mais barato, mas você perde a garantia. E vale à pena pagar a mais pela versão nacional? Bem, se a máquina der defeito durante o período de garantia, valeu com certeza; senão, não. Há outras variáveis envolvidas, como o fato que a versão nacional gera empregos em Manaus e não no Vietnã, mas é difícil discutir com um desconto de 30% ou mais.

Mas e se o leitor ou leitora não quiser um dos modelos da Sony na loja, e preferir, por exemplo, um modelo da FujiFilm? Ou uma bateria *original* para sua câmera da Canon, ou pilhas recarregáveis híbridas de primeira linha? Ou encontrará apenas em lojas especializadas, como a Consigo e a Angel Foto em São Paulo (pagando aquele salgado preço Brasil por conta dos impostos escorchantes) ou não encontrará mesmo, exceto, talvez, no Mercado Livre. E neste último caso a procedência será, quase sempre, a "importação criativa", ou seja, contrabando.

Mas há opções, que você ainda não deve ter considerado. Não estou recomendando nenhuma, apenas reportando o que efetivamente existe por aqui:

  • Ir pessoalmente ao estrangeiro buscar o equipamento
Não vale à pena exceto se você fosse fazer a viagem de qualquer forma. É perfeitamente legal, desde que você declare ao voltar ao Brasil a câmera ou equipamento, e recolha os impostos que incidem *apenas* no que exceder U$ 500. Lógico que você pode optar por não declarar o equipamento e não recolher impostos, e no máximo pagará uma multa se for pego, além dos impostos. Ninguém vai preso.
  • Pedir pra um amigo trazer uma câmera para você em uma viagem ao estrangeiro
Idêntica à anterior, exceto que você está usando a cota de U$ 500 do seu amigo, né? Se ele puder fazê-lo, eu recomendo. Me traga um flash também que eu te pago depois. ;-)
  • Comprar *legalmente* de empresas estrangeiras que entregam no Brasil
O imposto é de 60%, incidindo sobre o valor do produto e do frete. Uma fortuna.
  • Usar empresas que fazem importação direta de empresas que não entregam no Brasil
Há muitas empresas estrangeiras que sequer entregam eletrônicos no Brasil (a Amazon.com é uma delas). Há empresas que compram destas lojas, como a Amazon, e lhe remetem então os produtos. Esse é um meio do caminho entre a legalidade e a ilegalidade. Essas empresas podem prometer que o produto chega sem impostos (pois eles às vezes não declaram o valor do produto de boa-fé), mas no final quem vai dizer se você vai pagar ou não será o humor do fiscal que inspecionar o seu pacote. Eu, pessoalmente acho arriscado, mas já li relatos de transações tanto bem quanto mal sucedidas deste tipo (faça sua própria pesquisa na Internet se ficar interessado); de um modo ou de outro você paga adiantado os valores relativos ao produto, frete e comissão no ato da compra, e se for o caso, paga os impostos aqui, quando o produto chegar.
  • Comprar de empresas estrangeiras que entregam no Brasil e recolhem impostos de forma "alternativa"
Não estou fazendo apologia a essa atividade, apenas relatando uma situação que realmente existe. Nesse caso, não se trata de um particular que contrabandeia um equipamento ou mais e revende aqui: há empresas que enviam qualquer eletrônico não muito grande para cá, e você recebe em casa, com segurança, a um preço inferior ao preço do produto mais os 60% de impostos previstos por lei. Portanto, mais caro de que lá fora, porém mais barato do que aqui. Tem que ter uma jogada, certo? Certo.
E que empresas são essas? Procure nos fóruns por aí e você encontrará. A coisa funciona mesmo.
  • Comprar um produto usado
Como o produto legalizado, especialmente se tratando de equipamento profissional (DSLRs, lentes, tripés, etc) chega a um preço impraticável aqui, vender o que não se quer mais no mercado de segunda mão torna-se um excelente negócio, pois a oferta é rarefeita, graças novamente aos impostos. Então você pode revender um equipamento usado aqui no Brasil por mais do que o preço que pagou por ele novo no exterior, com certeza. Há, além do onipresente MercadoLivre, ótimos fóruns de fotografia que tem seções de classificados, onde se consegue quase sempre preços muito bons. Eu participo do BrFoto, que tem uma ótima sessão de usados, onde já fiz bons negócios.
Foto: B&H Photo (leia-se a Meca dos fotógrafos), em Nova York / EUA. Foto por Scott Beale / Laughing Squid (foto sob a licença Creative Commons).

* Carro: Dispositivo sem o qual os norte-americanos adultos não se deslocam, responsável em grande parte pela degradação do meio-ambiente e pelo aquecimento global.


Observação: Esse post pode parecer um desabafo, e acho que é mesmo. Seria tão bom se pudéssemos comprar legalmente o equipamento que quiséssemos a um preço justo, sem sentir-nos compelidos a recorrer a contrabandistas, e simplesmente praticar essa maravilhosa arte que é a fotografia. Mas isso é só um sonho por hora, sem sinais de que vá mudar.


Bom, é isso aí. Até o próximo post!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Fotografando até debaixo d'água

Talvez o leitor ou leitora tenha um estilo de vida aventureiro, fazendo trekking, andando de caiaque, ou sendo atirado de roupa e tudo na piscina no dia do seu casamento (acredite, já vi acontecer). Em qualquer uma destas situações você já deve ter se deparado com a pergunta "e se a câmera cair na água"? Bem, dependendo de qual câmera você tem, isso pode ser um grande prejuízo. Ou talvez não...

Vários fabricantes oferecem modelos de câmeras compactas à prova d'água. Não se tratam de produtos para mergulhadores que usam cilindros de oxigênio, pois não são projetadas para aguentar um mergulho de mais de 5 metros de profundidade, mas para um aventureiro de fim-se-semana usando snorkel e pés-de-pato resolve e bem. E não só elas sobrevivem a um pequeno mergulho, como podem ser usadas para fotografar dentro da água, mesmo.

Aliás, esse é um ponto importante. Eu já lhes falei anteriormente sobre a temperatura de cor; se a luz do poste tem uma cor diferenciada, o que dirá a luz filtrada por, digamos, 1 metro de água? Adivinhou se você disse que a luz vai ficar azulada. Porisso essas câmeras tem obrigatoriamente uma opção de white balance denominada "underwater" (sub-aquática) para justamente esses momentos.

De modo a atender não só os fotógrafos que gostam d'água, como também aos que gostam de aventura, boa parte dos modelos também é à prova de choque; não espere passar com o carro em cima de uma destas e ela sobreviver, mas pequenas quedas de um metro, mesmo em cima de pedras, estão incluídas no projeto, o que, convenhamos, é bem legal. Mas note que nem todas as câmeras waterproof são também shockproof (à prova de choques).

E tem alguma desvantagem?
Sempre essa pergunta. Tem, sempre tem. De modo a deixar a câmera mais resistente contra água e/ou choques, as lentes zoom destas câmeras não estendem para fora (diz-se que tem "zoom interno"); A lente exposta, além de possuir mais pontos para a entrada de água, é um ponto de fragilidade acentuada na câmera, então, melhor não ter. Infelizmente o preço a pagar é que essas lentes com zoom interno costumam ser menos luminosas (deixam passar menos luz, ou seja, tem uma abertura menor) do que lentes equivalentes em câmeras não-waterproof. Elas costumam também não ser tão fininhas como as super-compactas, porque precisam de um gabinete mais reforçado (e possivelmente cheio de acolchoamento interno) para suportar melhor os impactos. E, finalmente, como o flash costuma ficar próximo demais à lente nessas câmeras, olhos vermelhos quando usar o flash não serão surpresa alguma.

Veja mais alguns modelos:








Acima, a Fujifilm FinePix Z33WP e a Canon PowerShot D10.
No início do post você pode ver a Pentax Optio W80. Ah, quase esqueci, há também a Olympus Stylus Tough 8000, à prova d'água até 33 pés (11 metros), e também de choque e frio. Qualquer uma dessas belezinhas pode ser o seu passaporte para a fotografia subaquática.

Observação: muitas câmeras super-compactas também tem o zoom interno (as Sony da série T, por exemplo); a regra de que as lentes de câmeras compactas com zoom interno costumam ser pouco luminosas também vale para essas, e não apenas para as câmeras a prova d'água.


Observação 2: falando da abertura pequena das lentes dessas câmeras: a Fujifilm Z33WP, por exemplo, tem a abertura máxima f/3.7 em grande-angular e f/4.2 teleobjetiva; O lado tele está bom para uma compacta, mas o lado grande-angular costuma ser melhor, por volta de 2.6-2.8 em modelos comparáveis que não sejam waterproof.


Abs e até o próximo post!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Uma pequena revolução no ar

Não é uma revolução do mesmo tipo de quando a fotografia digital se popularizou, encolhendo enormemente o mercado de películas encabeçado pela Kodak. É uma revolução menor, aliás, é uma revolução de digamos, pequenas proporções. Ideais proporções? Tratam-se das novíssimas "DSLR" compactas.

Por quê as aspas? Bem, uma DSLR pressupõe um sistema de espelho e prisma para visualização, o que estas máquinas não tem. Mas também pressupõe um sensor digital de tamanho bem maior do que o das compactas, o que se reflete na qualidade das fotos, e também fartura de controles, dando mais recursos aos fotógrafos, e, finalmente, lentes intercambiáveis, dando flexibilidade e muitas opções fotográficas usando-se uma mesma câmera. E isso tudo as novas câmeras no formato micro-four-thirds tem. São, digamos assim, câmeras reflex sem espelho. Mas de tamanho comparável às compactas maiorzinhas. Eu, particularmente, adorei a novidade.

Para quem é?
  • Para qualquer um que queira uma qualidade de imagem do nível de uma DSLR em um pacote bem menor, e aceite numa boa a perda do visor ótico reflex como um preço a se pagar por isso.

E como é a qualidade, comparada às DSLR de fato?
  • Comparável às DSLR entry-level, como Nikon D60, Canon EOS 1000D, Pentax K-m... pelo menos fotografando em JPG. Em modo RAW costumam perder um pouco. Muito, muito pouco, aliás.

E o espelho/prisma, não farão falta?
  • Depende. Depende do tipo de fotografia que você quer fazer. A fotografia de esportes, por exemplo, não é uma forte candidata ao novo formato. Mas não vejo porque muitos amadores avançados que hoje usam (ou cobiçam) uma DSLR não migrariam para esse novo formato. Além disso, tenho certeza que muitos profissionais que trabalham com equipamentos bem mais caros as usarão para ocasiões em que não estejam fotografando profissionalmente, e queiram carregar muito menos peso. Há pessoas, porém, que não abrirão mão do visor ótico nunca.

Mas por que não tem espelho e prisma? Não dá pra fazer uma versão com espelho?
  • Não, de jeito nenhum. Foi justamente a retirada do espelho que permitiu às novíssimas micro-four-thirds serem compactas como são.

As câmeras serão mais baratas do que as DSLR?
  • A preços de hoje, não mesmo, são até carinhas. Poderão ser mais baratas no futuro? Não sei dizer.

Você disse micro-four-thirds. Existe também um formato four-thirds que não é micro?
  • Existe sim. É um formato aberto, que não "herda" de nenhum formato de câmera de filme, pois já foi criado na era digital, para projetos de câmeras digitais. Produzem câmeras e lentes para esse formato: Olympus, Panasonic e Leica. Além dessas, a Sigma também produz lentes para o formato four-thirds ("4/3rds") convencional. Creio que a Leica logo lançará uma lente para o novo formato também, pois tem uma relação muito próxima à Panasonic, compartilhando modelos, e já produz várias lentes no formato 4/3rds convencional.

Se eu tiver uma máquina micro-four-thirds, posso também usar as lentes four-thirds que não são micro?
  • Pode sim, com um adaptador opcional. Mas nem todas vão fazer foco rapidamente, porque o sistema de foco nas micro-four-thirds é diferente do empregado pelas reflex.
Já há muitas câmeras nesse formato hoje? E lentes?
  • Calma, a coisa está começando ainda. Há no momento que escrevo 3 modelos de câmeras desse formato no mercado, e poucas opções de lentes. Mas melhora rápido, garanto.
  • Estes modelos são: Panasonic DMC-G1 (a primeira a ser lançada), Panasonic DMC-GH1, e Olympus E-P1 (a da foto desse post). Essas câmeras são muito diferentes: enquanto as da Panasonic parecem uma micro-reflex, a da Olympus parece uma rangefinder dos ano 70. Na verdade ela é quase uma imitação da famosa Olympus Pen, e isso é proposital.
Obs1: Há um vídeo bem interessante sobre a Panasonic G1 no site da InfoExame, vale conferir.

Obs2: esta foto foi indevidamente "chupada" do
site da Olympus. Sorry, Olympus!


Obs3: Através de uma adaptador opcional, as máquinas micro-4/3rds podem usar todas as lentes no padrão Leica-M, de foco manual.

E é isso aí. O futuro a Deus (e ao mercado, ou seja, você) pertence. Abs!

domingo, 14 de junho de 2009

Câmera compacta ou SLR Digital? (parte 1)



Pergunta difícil, pois envolve muitas variáveis, acho que em um post não consigo fechar o assunto... mas vamos lá com a cara e a coragem.

Primeiro, o que é uma SLR (ou uma DSLR, no caso de uma câmera digital)? Muita gente chama esse tipo de câmera como esta da foto acima de "câmera profissional", o que tem algo de justo, pois fotógrafos profissionais frequentemente as utilizam, quase exclusivamente. SLR quer dizer "Single Lens Reflex", ou seja, esse tipo de câmera tem apenas uma lente, e a imagem que se o fotógrafo usa de referência para enquadrar não é uma "filmagem" digital do que o sensor da câmera está registrando, mas a imagem real que entra pela lente, refletida em um espelho no interior da câmera. O espelho é quem dá o nome de reflex. Sim, há máquinas reflex que tem mais de uma lente, no caso as TLR (Twin Lens Reflex), das quais a Rolleiflex é uma das mais famosas. Você pode aprendar um pouco mais sobre o sistema de visualização através de pentaprisma e espelho das SLR na Wikipedia se desejar se aprofundar. Em inglês o texto está bem mais completo.

Essa característica traz vantagens e desvantagens. As reflex, por causa do referido sistema usado para enquadramento da foto, tem inúmeras vantagens:
  • A imagem sendo visualizada não tem refresh de tela (atualização da tela), pois é uma imagem projetada através de um sistema ótico, e não uma filmagem. Portanto é bem mais adequada para quando se deseja fotografar coisas se movendo rapidamente (esportes, por exemplo).
  • Se você utiliza uma lente zoom, a distância focal (dar mais ou menos zoom) é alterada por um sistema mecânico, de acionamento muito rápido (basta girar uma rosca com uma das mãos), ao contrário dos botões que acionam um motorzinho nas lentes das câmeras compactas. Novamente se ganha em agilidade.
  • Todas as DSLR trocam as lentes (diz-se que tem "objetivas cambiáveis"). Então você pode numa mesma câmera usar uma lente mais própria para fotografar interiores apertados, uma mais própria para shows e esportes, ou uma mais compacta, uma muito boa para quando houver bem pouca luz... as opções são muitas.
E ainda,
  • A qualidade de imagem que as DSLR é capaz de capturar frequentemente (quase sempre) supera a qualidade que uma compacta é capaz de produzir... se você usar os ajustes corretos e/ou um pouco de pós-produção (leia-se usar o Photoshop). Para uma mesma resolução (exemplo: uma DSLR e uma compacta, ambas com resolução de 10 megapixels), pode apostar que a DSLR é capaz de produzir imagens melhores. Mas isso não tem nada a ver com o sistema de visualização baseado em pentaprisma e espelho da DSLR: tem a ver principalmente com o fato dos sensores óticos destas serem drasticamente maiores.

Bem, isso não é uma lista definitiva (deixei coisas de fora, afinal, sempre há a continuação), mas dá uma boa idéia. Em resumo, quem compra uma DSLR procura maior controle e melhor qualidade de imagem. Então se o seu bolso pode encarar uma DSLR (são mais caras que as compactas como regra geral), e qualidade da imagem é o que mais te importa, você já deve estar cogitando colocar uma DSLR na sua sacola de compras.

Ah, mas quem dera fosse tão fácil assim e tudo se limitasse a grana, grana grana. Uma reflex tem várias desvantagens com relação a uma compacta, mesmo que a limitação orçamentária não seja um problema para você. A ver:
  • Peso, peso, peso. Sim, as reflex tem vários componentes que as compactas não tem, costumam ser feitas internamente de metal, então elas pesam bem mais. E cada lente que você adiciona na bolsa de equipamentos é mais uma coisa a ser carregada. Para mim, pessoalmente, esse é o maior corta-tesão nas DSLR de todos. Às vezes eu deixo a minha em casa para poupar as minhas pobres costas... afinal, apenas a câmera já com pilhas e minha lente mais usada pesam juntas 1 quilo (!). Isso se eu levar tão pouca coisa.
  • Portabilidade. Te desafio a enfiar uma DSLR no bolso da calça. A Canon Powershot SD-850 IS do meu pai cabe com folga. E dependendo do peso nem lembro que ela está lá.
  • Discrição. Câmeras reflex só não chamam a atenção em lugares públicos de fotógrafos que usam esse tipo de câmera. Às vezes pessoas até saem da sua frente achando que você é um profissional. Discrição costuma ser muito bom. Darem licença para você fotografar, por outro lado, é algo de que não tenho como reclamar! ;-)
  • Simplicidade: qualquer um com meio neurônio aprende fácil a tirar fotos razoáveis com uma compacta. Boas, depende de talento e/ou sorte, claro. Mas uma DSLR requer insistência e estudo. Até para segurar a câmera existe uma técnica, afinal.
  • Profundidade de campo. Sim, em uma compacta a profundidade de campo é maior. Se você não entendeu bem isso, digamos que, devido ao menor tamanho do sensor, mais coisas ficam em foco ao mesmo tempo para ajustes idênticos em uma compacta do que em uma SLR. Isso é uma vantagem ou uma desvantagem, depende do que está sendo fotografado, na verdade. Vou voltar a essa diferença crucial posteriormente.
  • Preço. Claro. Compactas são criaturas com bem menos componentes mecânicos do que DSLRs, e com lentes que usam bem menos vidro e/ou cristais na sua confecção, e sensores menores, não esqueçamos que componentes à base de silício são caros. Isso tudo reflete no preço final do produto. Portanto, se o seu bolso está muito apertado, adie a idéia de ter uma DSLR para um futuro próximo e vá estudando as opções de compactas. Existem muitas, e muitas são boas câmeras.
Bom, termino esse meu 5º post por aqui. E se você ficou curioso para saber que "lindura" é essa câmera na foto desse post, trata-se da novíssima Pentax K-7, recém lançada no momento em que escrevo, e que, dependendo das críticas, vai dar uma boa sacudida no mercado, polarizado demais atualmente entre Canon e Nikon. Abs!