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segunda-feira, 22 de junho de 2009

O que é White Balance?

White Balance, ou equilíbrio de brancos, é um controle que permite às máquinas digitais (e filmadoras também) ajustarem a sua "noção" própria do que é branco, ou cinza em uma foto ou cena. Porque na verdade você pode não notar, mas a percepção do que é branco ou cinza varia com a cor da luz que estamos observando.

"Cor da luz???", dirá você. Sim, cor da luz. Você deve ter reparado que a maioria das lâmpadas de iluminação pública, por exemplo, tem uma cor bastante alaranjada (pelo menos aqui no RJ). Essa cor é a característica das lâmpadas de vapor de sódio. Então, sob uma destas, a sua blusa perfeitamente branca se parecerá perfeitamente amarela. A essa característica de coloração da luz chamamos de temperatura de cor. Às vezes essa coloração dada pelos diferentes tipos de luz pode ser agradável (o tom vermelho das velas, por exemplo), ou pode ser bem ruim (uma pessoa aparentar ter pele esverdeada, sob uma luz fluorescente). Mas a boa notícia é que podemos evitar essa cor indesejada se soubermos ajustar o white balance, ou, em português, equilíbrio de brancos.

Antes que você pergunte, vou logo avisando que as máquinas digitais tentam acertar a cor (ajustar o balanço de cor, ou em terminologia de cinema, bater o branco) sozinhas, automaticamente, o que é muito bom, pois boa parte das vezes elas acertam. Mas logicamente boa parte das vezes elas *não* acertam, e você fica no final das contas com fotos esverdeadas, cor de laranja, etc, e reclama e xinga sua pobre máquina. Tsc, tsc.

É possível, claro, ajustar a cor na pós-produção, em um software como o Picasa, Lightroom ou Photoshop. Mas exceto se você fotografou em modo RAW (falarei disso num futuro próximo), haverá perda de qualidade; algumas tonalidades estarão perdidas para sempre. Então o bom é que a máquina esteja com os ajustes corretos de white balance. Como quase sempre se aplica, é melhor conseguir o resultado correto na hora da foto, ao invés depois tentar corrigir na pós-produção.

A maioria das câmeras no mercado tem as seguintes opções de balanço de brancos (podem ter bem mais):
  • Auto - O processador da câmera tenta entender qual preset (ajuste) deve ser o mais adequado para a luz que está captando. Como regra, o automático costuma acertar bem a luz do sol e a luz natural quando estamos na sombra;
  • Daylight (luz do dia): luz do sol quando o assunto não está na sombra.
  • Shadow (sombras): sombras tem uma temperatura de cor mais fria (mais azulada) que a luz do sol direta.
  • Tungsten (tungstênio): o mesmo que luz incandescente. As lâmpadas comuns em forma de bolha, que vem sendo substituídas por lâmpadas eletrônicas.
  • Fluorescent (fluorescente): engloba tanto as compridas lâmpadas fluorescentes, quanto as pequenas, eletrônicas que entram nos bocais feitos originalmente para as lâmpadas comuns.
  • Flash: Muitos flashes tem a luz bastante azulada (luz de xenon, como nos carros mais caros). Outros usam filtros amarelos para fazer com que a luz do flash fique com uma temperatura de cor similar à luz do dia. O ajuste flash das câmeras considera o tipo azulado. Para flash com cor de luz do dia, use luz do dia, mesmo.

Caso você tenha se perguntado porquê a foto do simpatissísismo Luc nesse post; ora, esse é um exemplo de foto que foi capturada com o white balance no automático, e o serviço da câmera não foi muito bom, não entendendo bem que a luz era fluorescente; então a opção do fotógrafo foi justamente apelar para a pós-produção (foi utilizado o Picasa, gratuito) para conseguir cores de aparência natural. Um white balance errado acontece nas melhores famílias. A foto original foi algo como o que você pode ver aqui ao lado.

Obs1: A foto "Luc, o bicho do pé" é de autoria do meu amigo Sérvulo Harris. Se gostou, visite a galeria dele no Flickr e deixe um comentário. Ele sempre aprecia as visitas!

Obs2: um acessório útil para quem leva as cores nas fotos muito a sério é o grey card, um cartão cinza padrão (cinza 18%) que serve para ajustar precisamente o balanço de branco na câmera; serve também para "cravar" o ajuste da exposição. E tudo isso fica, claro, para um post futuro.

Abs e até o próximo post!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Por que a minha foto tremeu?

Dando continuidade ao nosso post anterior, chegamos à conclusão (simplificando) que as fotos tremem quando a velocidade do obturador (velocidade do clique) é lenta demais (diz-se baixa demais) para o que se quer fotografar e/ou muito suscetível ao tremor da mão do fotógrafo.

E deixamos uma pergunta em aberto: qual é essa velocidade mínima segura para se tirar uma foto, então? De que isso depende?

Depende especialmente da lente que você está usando ou que a sua máquina é dotada.
Vou dar um exemplo: se você tem uma compacta Sony DSC-W215 (a Sony vende muito bem aqui no Brasil, não é?). Essa máquina possui uma lente zoom equivalente, em formato 35mm, a 30mm-120mm. Quer dizer, a lente, quando está na sua perspectiva mais ampla (grande-angular) é uma 30mm e quando esta está toda esticada (tele-objetiva) corresponde a 120mm.

– No lado que corresponde a 30mm você deve usar pelo menos 1/30s.
– No lado que corresponde a 120mm você deve usar pelo menos 1/120s. Ops, não existe! Então use a imediatamente mais rápida: 1/125s.
– No meio do caminho, se você não souber qual a distância focal sendo empregada, tente arredondar, ou fique com a velocidade mais próxima de 1/120s quanto possível.

Percebeu? Quanto mais curta (grande-angular) a lente, menos velocidade você precisa para ter uma foto sem tremor; quanto mais longa a lente, maior tem que ser a velocidade. A regra prática é 1 / distância focal da lente sendo utilizada. Então, se na noitada, você resolve não usar flash e sua máquina registra uma velocidade da ordem de 1/4s, 1/2s... vai tremer. Mesmo com estabilizador ótico vai tremer.
Você precisa de 1/30s sem o estabilizador ótico, e 1/8s com o uso deste para ter uma BOA CHANCE de conseguir uma foto não tremida (ou de uma mão feita de concreto armado). O estabilizador ajuda, mas não é 100% eficiente. (Vou entrar no mérito do estabilizador ótico num futuro próximo, combinado?)

Agora, se você usou um tripé e o objeto não se moveu (ex: você fotografou um prédio à noite), bem, a foto não ficará tremida. Pois um tripé bem armado não treme, a não ser que você resolva chutá-lo. Novamente, trata-se de trambolho, mas um muito útil.

Obs: fotógrafos de natureza, como os da National Geographic, bem como muitos outros, utilizam o tripé *mesmo* que a máquina acuse uma velocidade segura para uma foto sem tripé. No caso de vários profissionais, a busca pela nitidez absoluta é uma cruzada pessoal. Se você não é profissional e vai imprimir no máximo em 15x10cm, isso provavelmente não vale para você.

Então você pode estar pensando, "vou utilizar a velocidade de obturador mais alta que a máquina permitir e está tudo resolvido". Menos, gafanhoto. Se você aumenta a velocidade, a luz entra por menos tempo na câmera e estimula menos o sensor digital. Para compensar, ou a lente tem que permitir uma maior abertura, ou você tem que pedir pro sensor trabalhar com menos luz (usar ISO maior) de modo a conseguir a mesma exposição. Uma dessas (ou ambas) devem ser aumentada de modo a ser possível compensar a perda de tempo de exposição, ou você vai obterá no final uma foto sub-exposta, ou seja, escura demais. Falamos disso outro dia também.

Ah, e quanto ao borrão devido ao deslocamento do objeto? Quase nos esquecemos dele.
Aí é difícil criar regras. Depende da velocidade do objeto e da distância que você está dele. Como via de regra, selecionando uma velocidade de pelo menos 1/250s está bem rápido para a maioria das aplicações. 1/125s é o suficiente boa parte das vezes. 1/60s já é considerado lento. 1/1000s "congela" uma gota d'água no ar. 1/16.000s consegue retratar uma bala atravessando um alvo. Veja aqui uma foto feita em alta velocidade: o tempo literalmente parece parar. Vale perceber que poucas máquinas atingem sequer a marca de 1/8.000 de segundo de velocidade (não sei de nenhuma que vá acima disso), mas como o disparo de flash é algo bem rápido, pode-se obter velocidades impressionantes como o 1/16.000s que falei, ou até mais.

Num próximo post explico o modo de Velocidade ("Tv" ou "S" dependendo da marca) que existe em boa parte das câmeras. Afinal, o que adianta compreender as velocidades sem poder controlá-las diretamente?

terça-feira, 9 de junho de 2009

Eu odeio carregar tripé!!!



Nossa, somos dois, colega, eu também odeio. Mas se você afirmou mesmo isso, quer dizer que já teve que carregar um, e se carregou, ou é um masoquista que carrega tripés sem necessidade, ou é alguém que sabe para quê esse trambolho serve de verdade, e nesse caso nem precisa ler esse post. Ou melhor, leia assim mesmo, "não se avexe não", rsrs.

Eu tenho um tripé e um monopé, e evito, quando posso, carregá-los, como qualquer pessoa sã. Mas adoro quando eles me permitem tirar fotos que, de outra forma, ficariam tremidas e inaproveitáveis. Vou mais longe e digo que ninguém mesmo gosta de carregar tripé. Se ele pudesse se transformar num chaveiro e só voltar a ser tripé na hora certa...

(Se você se perguntou o que é um monopé, bem, é um tripé com um pé só. Lógico que não é eficaz para evitar tremores como um tripé, mas é bem melhor que segurar a câmera apenas com as mãos).

"Tá bom", dirá você, mas vejo muitos profissionais não usando tripé. "Por que eu deveria"?
Questionamento justo, justíssimo. Mas você já deve ter visto profissionais (ou até amadores avançados) por aí usando tripé também, não? Então você percebeu de alguma forma que há dois tipos de momentos:

  1. O momento em que há que se usar tripé, e
  2. O momento em que o tripé não faz diferença nenhuma...

Então a pergunta certa a se fazer é:
"Em que momentos eu deveria usar um tripé?"

Bem, se você já tirou uma foto tremida (e todo mundo já tirou, até o JR Duran), olhe para ela e desconfie que o tripé poderia tê-la salvo. Bem, nem sempre. Mas vamos ser mais exatos, então. Qualquer tremor ocorre porque a velocidade do obturador (leia-se do clique) não foi rápida o suficiente, e uma das três coisas abaixo (ou uma combinação delas, até) aconteceu:

  1. A sua mão tremeu, ou
  2. O objeto fotografado se deslocou, ou
  3. Você está num meio de transporte (ex: um trem), fotografando alguma coisa lá fora, e mesmo sem ter tremido a mão ou o que você fotografa ter se deslocado... bom, foi exatamente como se o objeto tivesse se deslocado; na prática é a mesma coisa que o caso 2.

Pronto, é isso aí, acabou a extensa lista.

Vamos nos focar no problema 1, a sua bendita mão tremeu. Vamos assumir que o que você quer fotografar é imóvel, como uma árvore ou um prédio, ok? E que você não está se deslocando...
Algumas pessoas tem a mão bem mais firme que outras, e na fotografia existem pessoas com maiores ou menores graus de firmeza; há também formas mais corretas de apoiar a máquina para evitar tremores. Nem vou gastar muito tempo nesse assunto, porque qualquer livro básico de fotografia explica isso. Na dúvida, siga esse link. Em qualquer caso, o que você deve saber é que TODO mundo treme a maioria das vezes quando a velocidade é baixa demais, por vários motivos, inclusive a pulsação de nossas veias. E qual é essa velocidade mínima segura, então?

Ahá! Esse será o assunto do nosso próximo post, sobre por quê as fotos borram. E como não borrá-las mais.

Então concluimos por aqui, entendendo que o tripé funciona pois a máquina não irá tremer ao se clicar (pelo menos usando-se o timer, cabo disparador, controle remoto...). E em fotos com exposição muito longa (ex: uma foto de um lago à noite), sem tripé, tremer é o único resultado possível. É nessa hora que vamos sacudir o nosso chaveirinho e ele vai virar um tripé... opa, esqueci, isso ainda não existe :-(

Em tempo: essa foto aqui, por exemplo, fiz com a ajuda de um monopé. É bem mais leve que o tripé, e mais rápido de armar, bom para city-tours apressados como o que eu fiz. E mesmo usando uma velocidade bem baixa (1/8 de segundo), dá para ver nitidamente até os escritos na abóboda.

Abs e até!!!

domingo, 7 de junho de 2009

Eu odeio luz de flash (?)


Você provavelmente reparou no ponto de interrogação no título, e também no tema recorrente dos anjinhos. Destes, o mais relevante é sem dúvida o ponto de interrogação.

Por quê muitas pessoas em geral dizem odiar as fotos feitas com flash? Ora, será aquele visual de explosão nuclear de luz branca no rostos? (Na realidade a luz é azul, mas entro nesse mérito em um post futuro). Ou serão as sombras escuras projetadas na parede? Ou os olhos vermelhos que lembram um cachorro no escuro? Escolha o seu motivo. O fato é que quase todo mundo odeia flash mesmo.

Mas esse ódio é justo? Quero dizer, todas as fotos feitas com flash são tão horrorosas quanto aquelas que você tirou na noitada... hum... sim e não. Depende. Na verdade, aquelas fotos lindas tiradas em um studio profissional (imagine as boas, por favor, e não as ruins) também foram tiradas com flash. E, não, a diferença não é a máquina. Qualquer "xereta" (leia-se máquina horrorosa) nas mãos de um bom profissional - e com o equipamento certo de iluminação de um studio - pode fazer belas fotos. Nada próximo do que uma máquina reflex full-frame profissional faria, lógico, mas ainda assim coisa bastante boa, se impressa em tamanho pequeno.

"Mas então, pelamordedeus", dirá você, "onde está a maldita diferença"? Hum, vamos aos anjinhos. Repare na imagem que encabeça o post. Para melhor ilustrar, aqui estão as fotos originais, uma a uma.

A primeira foto foi tirada usando luz natural (da manhã), oriunda de uma janela, e suavizada ainda mais por uma cortina transparente. Coisa boa. Dá pra ver com alguma segurança que se trata de luz de uma janela pois ela incide lateralmente nos nossos anjinhos.



A segunda foto, coitada, foi feita com flash direto. Repare nas sombras horrendas projetadas pela cadeira e a pela planta, na parede, atrás dos anjos, do reflexo do flash nas taças... coisa do demônio. Bem que você disse "eu odeio flash". Cara (ou moçoila) esperto(a).



A terceira foto foi feita com... flash!!! Ora, mas como, dirá você. Simples. Flashes que não são aqueles que vem embutidos na câmera frequentemente tem o recurso de poder apontar o flash para o teto ("bounce"). Alguns, além do "bounce" (movimento vertical), também possuem o movimento horizontal da cabeça do flash ("swivel"). Com isso dá pra apontar o flash para (quase) tudo quanto é lado. Fora a possibilidade se se usar o flash desacoplado da câmera, disparado por fio, rádio-freqüência ou fotocélula (mas isso tudo fica para um post futuro).

Em resumo, a suavidade da luz (qualquer luz) é relativa ao tamanho relativo da fonte emissora de luz em relação ao objeto fotografado. Um flash é uma luz pequena (diz-se pontual): a cabeça do flash é infinitamente menor do que um bom lustre. Então a luz é mais "dura" (mais focada, mais sombras). Mas se apontamos para o teto (ou para uma sombrinha reflexiva usada por fotógrafos), a luz se espalha e volta. Então a nossa fonte de luz passa a ser boa parte do teto (nosso refletor), e isso é bem maior do que o lustre, por exemplo. Ou mesmo maior do que a janela, dependendo da janela. No caso da sombrinha, a fonte de luz fica do tamanho do diâmetro da sombrinha. Quanto mais próxima do objeto fotografado, maior o tamanho relativo da fonte de luz e portanto maior a suavidade da luz.

Se o que você pensou é "ah, mas não quero (ou posso) investir em um flash externo", bem, você já tomou a sua decisão quanto a que tipo de fotos vai tirar à noite. Ou tremidas (mesmo o estabilizador ótico e/ou ISO alto não fazem milagres completos) ou então com o delicioso visual de explosão nuclear. A decisão é de cada um; estética, gosto e capacidade financeira são assuntos complexos.

Se você pensou "puxa, minha digital nem sapata de flash tem", bem, complicou um pouco. Tem uns paliativos por aí, como flashes escravos, mas dificilmente isso vai resolver adequadamente. Se a qualidade da luz nas fotos à noite para você é importante, é bom que sua máquina tenha pelo menos uma sapata de flash.

Abs!!!